Arquivo de setembro \30\UTC 2009

Embarangueando

 Essas duas últimas semanas eu estava passando por uma fase dark de inspiração, meio sem tempo e meio sem saco pra sentar e escrever. E olha que eu nem to na fossa hein? Mas hoje eu resolvi tomar vergonha na cara e também venho trazendo boas novas pra vocês! Alguém reparou que alguma coisa ta diferente? Ta, ninguém é cego e nem idiota e viu que o blog ta de carinha nova! Muito bonitinho! E não para por aí não! Ainda tem mais novidades por esses dias, mas eu tenho que fazer suspense pra dar audiência sabe? (to parecendo apresentadora do Polishop agora)

No post de hoje, eu preciso expressar minha revolta com duas coisas (tipo, eu to sempre expressando revoltas nos posts, mas eu preciso desabafar né, já que eu não tenho um diário (eu sempre achei muito bonito e poético quem escreve em um diário)). Enfim, só eu que fiquei indignada ao ver panetones a venda no mercado? Ainda faltam quase três meses pro Natal, e ninguém ta no clima de papai-noel ainda. Fora que eu amo panetone, e eu acho muito mágico comer só no Natal. E aí eu já vou começar a comer desde agora, e vou acabar com a magia natalina (além de passar o fim de ano gorda). Ou seja, já começo meu Natal frustrada em setembro. É, acho que eu sou meio sentimental às vezes.

A minha outra revolta veio hoje quando eu cheguei da faculdade e abri meu Orkut. Sem estar preparada e sem avisos, fui surpreendida com o Gatinho do Orkut 100% Love me adicionando (eu queria tanto saber de onde eles tiram esses nomes). E ainda com um avisinho do tipo “me aceita aí gatinha?” Pois é, o infeliz ainda pergunta. Depois eu fiquei pensando se ele realmente achou que eu iria aceita-lo. Pra completar, no perfil tinha uma música de pagode, clássico né, e várias fotos com a bandeira daquele time que vocês já imaginam qual é, outro clássico. Tudo bem que a internet é um território livre e democrático, cada um faz o que bem entender com seu Orkut, mas sério, precisa embarangar tanto as coisas assim?

Eu sinto uma profunda vergonha alheia quando me deparo com alguma menina dentro de uma caixa d água fazendo pose, ou praticamente pelada em frente ao espelho do banheiro com o vaso sanitário de plano de fundo, ou mostrando algum piercing pendurado em algum lugar obscuro, ou uma legenda daquelas bem caprichadas em uma foto mais caprichada ainda, e daí pra pior, bem pior. E ainda tem aqueles scraps bem embaraçosos ou depoimentos que teoricamente não era nem pra escrever e muito menos pro outro idiota aceitar. Eu me pergunto, será que é tão difícil assim ser uma pessoa razoavelmente normal?
Não me leve a mal, mas é fato que tudo que brasileiro põe a mão, embaranga-se automaticamente (se é que esse verbo existe). O Orkut já é caso perdido, e a próxima vítima é o Twitter, infelizmente.

Já faz um tempo que eu sou uma viciada sem cura no Twitter, mas de uns tempos pra cá, a coisa ta ficando feia.  Às vezes eu até agradeço por ser míope e pelas fotos pequenas no profile, assim eu não vejo nenhum absurdo. Mas o mais triste mesmo é o assassinato da língua portuguesa a sangue frio, sem dó nem piedade. Os barangos estão descobrindo novos lugares pra atacar, salvem-se quem puder!

Pra terminar, vou deixar aqui um perfil do Orkut para reflexão (eu nem preciso descrever a foto do ser humano né?):
“atrevida sempri, boba numca, moleca sin, criança asveis, menina sempri, mulher quando queru, feia sempre fui, linda quem sabi, nojetinha talves quando quero, ciomenta não, cuido do q é meu, concluindo, sou + qd +, sou uma pessoa super legal e mi amo kkkk”

Pois é.

Beijo enorme pra todo mundo!

Marília Bini Rastelli

www.twitter.com/mariliarastelli (podem me seguir, prometo que não é barango ta?)

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Amiga, você viu????

- Amigaaaaa!!! Eu o vi!! Ele é MARAVILHOSO!!!!

- Ahh é um desperdício ele casar agora…. Não é?

- Nem me diga. E aquele voto de castidade, então? Que coisa mais fofa!!!

- Ahhh não sei se acredito muito naquilo não……

- Ahh, mas tudo bem, eu não me importo se não for verdade!!!

- Eu também não…. E não precisa ficar triste. Ainda tem outros dois!!

Bom, queridinhos, acho que vocês já devem ter uma idéia de quem eu estou falando, não?

Jonas Brothers. O trio que conquistou o mundo com uma boa voz (questionável, mas não vem ao caso) e rostinhos bonitos, hoje são o sonho de muitas garotas por aí.

O mais novo dos irmãos, que tem diabetes tipo 1, faz campanha para ajudar crianças com a mesma doença que ele. O mais velho faz voto de castidade e pretende se casar antes dos 25, já que tem 21 e já está noivo. Esses meninos são amados por todo o mundo, não só pelas músicas que cantam, mas pelas atitudes que têm. Mas eu me pergunto, até que ponto essas atitudes são realmente sinceras e verdadeiras?      Não estou dizendo que o voto de castidade de Kevin não seja verdadeiro, ou que Nick esteja fazendo campanha só para se aparecer, mas vamos pensar no todo, não especificamente neles. Para ser bem sincera eu acredito que seja verdadeiro o voto de Kevin. Mas o fato é que chegamos ao ponto em que sempre desconfiamos de tudo e de todos. Se alguém adota uma criança na África, falamos que está fazendo graça, só para aparecer. Se alguém resolve fazer uma campanha recolhendo fundos para ação social, dizemos que tem caixa 2 no meio. Não é exagero. Com certeza alguns de vocês já pensaram isso. Se não, eu já. E acho isso péssimo.

Esses meninos escolheram ser diferentes. Que mal há em ser diferente? Deixe os ser certinhos e politicamente corretos. Se não for verdadeiro mais dia menos dia a máscara cai.

Bom, acho que é isso.

Nossa… Depois desse texto acho que vou mudar de curso e fazer direito para defender todo mundo!! Hehehehe.

Ta… acho que não daria muito certo. Prefiro continuar no jornalismo mesmo.

Por hoje é só amores!!

Semana que vem eu volto! Já estou atrasada pra ir trabalhar!!

Beijos!!

Joceli Godoi

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Ah!!Vai apresentar o Jornal Nacional?

Depois de 3 horas de viagem, aceno para o táxi, ele para e eu entro. Para a minha surpresa, não se trata de um taxista mas sim de uma taxista. A mulher, na faixa de seus 38 anos é simpática, sustenta um sorriso no rosto e sabe como tratar os passageiros. Aproveitando a oportunidade de uma conversa em potencial, sento-me no banco do passageiro. Ao contrário do comportamento comum da maioria dos taxistas , ela parece não se intimidar com a minha presença ali. Embora estivesse cansado, não pude deixar de reparar em um item que não era muito comum em táxis (pelo menos nos que eu tinha pegado). Era uma tv portátil, daquelas bem pequenininhas sabem? Ficava ao lado do porta moedas. “Pronto”, pensei “Achei o gancho de que precisava”.

- O que é isso aqui? , perguntei mais para começar o assunto do que propriamente saber para que servia o objeto.

- Ahhhh isso? É  a minha tv portátil.

- A senhora gosta?

- Sim, sim!!! Adoro. Não posso perder nem as minhas novelas nem o jornal.

- Ah, quer dizer então que a senhora assiste jornal? Olha só…Que bom.

- É sempre bom ficar bem informada né? Apesar de que jornal muitas vezes só traz coisa ruim…É morte, corrupção, violência…

- É…Não é fácil dar boas notícias o tempo todo. As pessoas desconfiariam…hehehe…

- Tem razão…hehe..

- Mas não é culpa nossa. Apenas damos a notícia.

- Você faz o que?

- Eu? Bom, eu sou estudante de jornalismo.

- Ah é?

- É sim.

- Ah, então quer dizer que vai trabalhar na Globo no JN né?

- É uma possibilidade…Mas não é tud…

- Que chique! Quando estiver lá não esquece que eu uma vez te levei pra sua casa…Meu nome é Edillene. Com dois “l´s”.

- Tudo bem…Mas é que o jornalismo não é só t…

- Ai, eu acho aqueles dois tão chiques. O William e a mulher dele. Qual é o nome dela mesmo?

- Jornalismo não é só tv e também não só apresentação. Tem muita gente que rala pra caramba pra colocar o jornal no ar. Eles mesmos. Não sentam lá e simplesmente apresentam. – tentativa vã Raphael. Ela te ignorou e ainda ta tentando lembrar o nome da…

- Fátima!!!! Lembrei!!! É Fátima o nome dela. Mas como é bonita aquela moça não? Quem vê não diz que teve três filhos. Já ta no jornal, mas se se esforçar mais um pouquinho chega na novela.

- Mas dona Edillene, ela não é artista. É jornalista. Jornalista é jornalista. Artista é artista. (menos a Marilia Gabriela que é praticamente o Chuck Norris de saias). – ignorado de novo -

- E o tal do William não? Ai, me dá até calor!!! Aquela mecha branca é um charme… E jornalista deve ganhar bem hein? Você ta feito hein rapaz?

- Nem sempre dona Edillene…Nem sempre…Poucos ganham tanto quanto eles e…

- Ai, quem me dera trabalhar só 30 minutos, na tranquilidade, usar roupa bonita, e ganhar bem. Vidão de jornalista…

- Eles, como tantos outros jornalistas espalhados pelo Brasil, trabalham bastante dona Edillene. As coisas não caem prontas assim do céu. E embora seja uma profissão difícil, é tambem, muito gratificante. O jornalista está no centro do furacão da informação, onde as coisas acontecem. A função dele, seja em tv, rádio, internet, impresso é informar e formar o cidadão consciente…

- Hã? Desculpe. Não estava prestando atenção. Bem…Chegamos.

- Quanto deu?

- R$11,00

- Deixa eu só te perguntar uma coisa?

- Fique a vontade.

- Que horas são?

- 20h15.

- Obrigada – diz ela ajustando a tv no canal do seu jornal favorito.

- Boa noite, dizemos eu e Bonner ao mesmo tempo. Só ele, no entanto recebe a resposta dela.

Em seu carro, no primeiro intervalo do jornal, Edillene pensa: “Menino calado esse. Acho que vai ser um bom jornalista. Pelo menos o “boa noite” ele já sabe dar”.

 

Raphael Maéstri Gnipper

www.twitter.com/raphaelgnipper

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Desculpas esfarrapadas

-Alô?

- Oies, tudo bem? Viu, nem vou escrever nada hoje tá? Sei lá, to mó cansado, já fui arrasado duas vezes no mesmo dia, a primeira por um tal de Marcel, não conheço direito mas parece que é um professor ou algo assim; E a segunda foi ao descobrir que um conhecido morreu, e você sabe né? Morreu, não tem mais volta… Mas enfim, era pra eu ter escrito ontem, ou sábado, ou durante a semana passada inteira, mas acabei deixando pra última hora, aquilo que minha mãe sempre mandou eu não fazer e tal. Talvez ela estivesse certa. Mas então, era só isso, só pra falar que não vou escrever nada, mas na semana que vêm prometo escrever uma história legal e engraçada, que alegre sua segunda deprimente, tá bom?

- Tá…

- Então tá, tchau!

- Tchau…

Guilherme Paiva

www.twitter.com/glhermepaiva

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Romantismo is out

Oii gente!

É quarta- feira já, ou ainda, e dia de texto super interessante e divertido aqui no blog (autopromoção é tudo nessa vida). E com mais de 140 caracteres! Ufa! Mas antes, alguém já comeu pipoca de chocolate? Não coma, vai por mim. Acabei de derrubar minha tese de que tudo com chocolate fica bom, o que incluía batata frita, doritos e outras coisas. Por que eu sempre começo meu texto falando de comida? Enfim, é melhor eu começar logo antes que o apocalipse chegue, pois hoje é dia 09/09/09 né, e lá fora o mundo já está se acabando em água.

Agora pouco eu me senti meio velha- ultrapassada- contra- tecnologia. Fuçando em blogs por aí, acabei lendo um artigo sobre o Kindle, que eu já tinha visto no programa da Oprah (acho que eu posso me sentir mais velha ainda agora por causa da Oprah, mas eu gosto e daí?). Primeiro eu achei super cool o aparelhinho, mas depois me cansei de tanta modernidade, tanto que nem tive vontade de ter um. Pra quem não viu ainda, o Kindle é um leitor de e-book, criado pela Amazon, há uns dois anos. Nada mais é do que uma plaquinha com uma tela grande para baixar e ler qualquer livro (pagando por ele, é claro, senão seria pirataria malandra). E veio prometendo revolucionar o mercado de livros e seus leitores. Ou seja, acabar com a produção de livros tradicionais.

É claro que o aparelhinho em si é genial. A idéia de poder ter qualquer livro na sua mão em segundos, por um preço menor do que o livro normal, e poder armazenar vários deles e tê-los quando quiser ao alcance da mão, fez com que milhares de pessoas pagassem a bagatela de quase 400 dólares por ele. E aí vem minha visão Pollyana da vida. Eu adoro cheiro de livro velho ou novo, adoro organizar todos na minha estante, adoro ganhar livro de presente, adoro emprestar pra quem quiser e quem cuidar bem deles, dou pulos de alegria quando o livro que eu comprei pela internet chega pelo correio e passo horas perambulando pela Fnac sem nem saber pra que lado eu olho primeiro. E o Kindle veio pra acabar com a minha graça.

Não gosto desse papo de velho que diz que a tecnologia é maligna, que o MSN só afasta as pessoas, que ninguém lê mais nada depois do Google, que a internet é coisa do demônio que só traz coisa ruim, e blá blá blá. Não concordo com nada disso e acho que essa tecnologia toda só tem a acrescentar e, acreditem ou não, ainda existe vida além da internet. Mas sendo sincera, substituir o bom e velho livro por um Ipod gigante é demais pra minha cabecinha de quem nasceu em 89. Cadê o romantismo da coisa?

Alguns dos argumentos da Amazon em defesa do Kindle é que seria um grande aliado na preservação do planeta, já que diminuiria bruscamente a fabricação de papel. Ta, eu sou super fã do planeta e é lindo preservar tudo. Por isso mesmo, acho que seria mais útil a conscientização do reflorestamento que algumas fábricas estão fazendo, já que o Kindle está um pouco longe da realidade do grande público, por enquanto.  E, sendo poética agora, o planeta tem muito mais a ganhar com a grande fabricação de livros, do que a perder.

Talvez um dia a gente nem se lembre mais como era ir a uma livraria procurar um livro, e eu nem me lembre mais das minhas crises mortais de rinite nas bibliotecas. Como aconteceu com os CDs, que daqui a pouco vão ser encontrados só em museus. Se bem que eu tenho saudade do tempo que eu economizava minha mesada pra comprar um CD no fim do mês. Ta bom vai, chega de nostalgia por hoje. Enfim, pode ser que temos que nos preparar para evolução sem romantismos. Ou já estamos preparados.

O que me deixou com cara de ué, foi ver o tanto de capas a venda por aí, pra colocar o Kindle dentro e ele fica parecendo um livro de verdade. Contraditório, não? É, vai ver que não estamos tão preparados assim…

Beijo enorme pra vocês e até semana que vem sem chuva, por favor, São Pedro!

Marília Rastelli

http://twitter.com/Mariliarastelli

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Bom senso e bom gosto.

Olá meu povo!!!

Mais uma terça feira chegou e eu deveria, teoricamente, escrever um texto para entreter vocês que sempre reservam um tempinho do dia para ler as baboseiras q escrevemos aqui. Disse teoricamente por que hoje vou transcrever um capítulo de um livro que eu estou lendo. O nome do livro? “Chutando o balde – o livro dos desaforos”. Esse nome é inspirador, não? É pra você que não agüenta mais levar desaforo pra casa e engolir os sapos do dia a dia.

Mas vamos ao que interessa…

“Uso, gosto e não vou tirar”

“A escolha é sua: ou veste só tom pastel e a cada vez que sai na rua fica com taquicardia por medo de estar mal vestido ou assume de vez que cada um usa o que quer na hora que desejar e ponto final. Sabe aquelas seções de “certo e errado” que saem nas revistas ditas femininas e de comportamento? Coisas assim como “jamais use pulseirinha de tornozelo no trabalho, só na praia” e “nunca se atreva a botar roupa com listra horizontal se estiver acima do peso”. Elas têm uma grande finalidade na vida: encher a lixeira.”

“Agora, aqui entre nós: alguém acredita que quem dita regras de etiqueta e moda não fuça no nariz, nunca solta pum e jamais veste uma camisa furada ou errou no traje? Cuspir farofa no rosto do interlocutor e constranger os outros por cruzar as pernas sem calcinha é baixaria sem sentido. Mas se submeter ao que determina meia dúzia de cocota chata que há muito não sabe o que é imaginação e bom humor, é babaquice. Com celulite, estria, gordo, magro, velho, torto, nada disso interessa: cada um sabe o que lhe vai bem. Claro: desconte-se o garotão aquele que, para mostrar a barriga sarada, tira a camisa no meio da festa. Ou a gatinha que tira o chiclete da boca, fazendo um gênero ingênua-debilóide na sua frente, esses merecem a réplica, do xingão ao deboche. No mais, é perfumaria. Nem dê bola.”

É isso aí meu povo!! Cada um se veste do jeito que quer, sem essa de ficar pensando no julgamento dos outros. Com bom senso, tudo é permitido!

Beijos a todos e até terça que vem!!!

Joceli Godoi

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Batman Arkham Asylum

Não teve como. Não pude resistir. Foi mais forte que eu. Não queria escrever sobre videogames aqui, porque sei que nem todos que lêem o C7 se interessam pelo assunto, mas tenho que escrever alguma coisa, e esse jogo me inspirou. E muito.

Quem me conhece sabe que sou fã de quadrinhos. Inclusive tinha um no meio do meu último texto, Princípios Básicos da Física Quântica, publicado aqui no C7 segunda passada. Enfim, Xmen, Homem Aranha, Batman e outros sempre me divertiram, emocionaram e prenderam minha atenção com suas histórias que parecem que sempre vão acabar bem pro vilão, mas no fim os heróis sempre dão um jeito.

Quando vi, uns 4 meses atrás, que estavam fazendo um jogo novo do Batman, assim como muitos outros fãs/gamers, amarrei a cara. Batman nunca teve um jogo decente, o que é uma vergonha para alguém com tanta pompa quanto o Morcegão. Mas mesmo estando preocupado, havia uma esperança, afinal os produtores poderiam se inspirar n’O Cavaleiro das Trevas, que foi um baita dum filme. Mas não. Resolveram tentar algo novo, grande e assustador: Asilo Arkham.

O jogo é fabuloso. Uma obra prima tão grande, que me fez passar 8 horas seguidas na frente da TV no dia que comprei o jogo. E depois mais 8, tudo isso sem cansar. E não estaria mentindo se dissesse que passaria mais 8 horas jogando, porque é muito divertido.

A história é basicamente a mesma que saiu na graphicnovel homônima de Grant Morrison e Dave McKean em 1990. Batman prende o Coringa e o leva de volta para o Asilo Arkham, onde estão todos os bandidões de Gotham City, mas o vilão já tinha tudo planejado: prender o Homem Morcego lá e soltar seus comparsas para acabar (ou melhor, começar) a festa. E você, na pele do herói, deve parar os malfeitores. Para isso você deve agir como um verdadeiro cavaleiro das trevas, se escondendo e atacando furtivamente os inimigos. Além disso, Batman prova mais uma vez ser o maior detetive do mundo, usando uma visão especial que sua amadura possui, que lhe mostra o número de inimigos na próxima sala, se estão armados ou não e até mesmo se estão calmos, nervosos ou assustados.  Tudo isso com ajuda dos badulaques de última tecnologia que Bats, como é  “carinhosamente” chamado pelo Coringa, carrega  sempre consigo. Batarangues, batgarras e explosivos ajudam bastante, mas na hora do quebra pau, nada como uns bons golpes das mais variadas modalidades de luta que Batman domina com perfeição.

Logo no início do jogo você já encontra  Jim Gordon, e a medida que o jogo progride caras conhecidas vão aparecendo, como Harley Quinn, Charada, Espantalho e Hera Venenosa, entre vários outros. Todos prontos pra ferrar com a sua vida, de alguma forma.

Concluindo, Batman Arkham Asylum é um jogo essencial tanto para os fãs do Morcego quanto para aqueles que só querem algumas horas de diversão e também para aqueles que querem conhecer mais a história de Arkham. Disponível para PS3, XBOX 360 e PCs. Visite o site oficial para mais detalhes, vídeos e a versão de demonstração do jogo: www.batmanarkhamasylum.com

Tchau e até segunda que vem!

Guilherme Paiva

www.twitter.com/glhermepaiva

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O santo que precisa bater

Hoje me vi numa situação diferente da habitual. Senti, de certa forma uma certa solidão. Descrevo a situação: Chovia. Não torrencialmente, mas aquela chuva fina que faz com que você não tenha vontade de sair de casa pra fazer nada. Embora fosse esse o meu caso, inevitavelmente tive que ir pra faculdade. Pois bem, chegando lá, qual não foi a minha surpresa ao saber que nenhum dos meus “amigos de parquinho” estava lá. A partir desse momento, catei um copo de bebida, um cigarro e comecei a cantar deitado em cima de um piano: “Meu mundo caiu / E me fez ficar assim”…hahaha…Calma. É brincadeira. De fato, eu não tinha o piano.

Com tempo de sobra e deitado na minha mochila, não me restou muito a não ser conversar com algumas pessoas um pouco mais chegadas e, pra variar quando não tenho nada pra fazer, pensar.

É engraçado. Todo mundo tem o seu próprio grupo. Todo mundo tem um lugar.

A Sociologia diz que amizades são “ciclos de interesses”. Sim, meu caro leitor!! Você, eu e todos que tem um amigo neste mundo somos interesseiros. Mas de um jeito positivo, pois buscamos nas outras pessoas interesses em comum. De repente o mesmo gosto por música, cinema, o modo de falar, lugares onde ir, etc etc e etc… Entenderam classe?

Pois bem…Voltando aos grupos…

Cada um tem o seu lugarzinho dentro desta bolha que chamamos de sociedade. Numa esfera um pouco menor, cada um tem o seu lugarzinho dentro da sua escola, faculdade, academia e tal. Amigos, de fato, são poucos que conquistamos ao longo da vida. Colegas, esses sim, temos muitos. Ou pelo menos deveríamos ter.

Durante a nossa jornada por aqui, passamos pelos mais diversos grupos de indivíduos. O rockeiro de hoje pode ter sido o pagodeiro de ontem. Ou quem sabe poderá ser até o forrozeiro de amanhã. Tudo vai depender dos amigos.

Grupos de amigos são como máfias. Quando se entra, é difícil sair. E quando se sai, é difícil entrar. E aqui está o problema.

Não são poucas as vezes em que quando estamos com um determinado grupo de pessoas, nos esquecemos do resto do mundo. Aquelas pessoas bastam. São perfeitas. E mesmo que não sejam (e não são), não importa.

O que ocorre muitas vezes, pelo comodismo de já termos nosso próprio grupo, é nos vermos em uma situação extremamente confortável e não arriscar conhecer novas pessoas. Partindo daí, vem aquelas velhas histórias de “o meu santo não bateu com o dele (a)” “não fui com a cara” “não senti boas energias” e toda a ladainha possível e provável para não se aproximar daquele que está fora do seu “universo de perfeição”.

Pra ser sincero, nunca entendi esse negócio de “o santo não bateu”. Quer dizer o que? O seu santo tem que fazer um “hang loose” pro da outra pessoa agora?

Quando criamos fortalezas de preconceitos por medo de conhecer e tentar entender o outro, acabamos perdendo boas oportunidades de encontrar pessoas muito interessantes que podem vir a tornar o nosso dia-a-dia muito mais agradável.

Diz-se que a grama do quintal do vizinho é sempre mais verde. Não concordo, mas acredito que dar um pulo até lá não fará mal a ninguém.

Além disso, ampliar amizades é como formar um exército: Quanto mais, melhor.

 

Raphael Maéstri Gnipper

Twitter.com/raphaelgnipper

www.distritor.tk

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Vovó ainda dá um caldo

Oi gente bonita e simpática!

Antes de qualquer coisa, eu quero expressar a minha revolta com uma coisa absurdamente gostosa que se chama Kinder Ovo. No fundo eu sempre soube disso, mas só agora pouco eu resolvi encarar a dura realidade que me assombra: Kinder Ovo é só para superdotados. Eu nunca, nunquinha, consigo montar aquela porcaria de brinquedo que vem dentro dele. A minha dificuldade já começa em abrir aquele ovinho que guarda a surpresinha, sempre quebro minha unha e tenho que abrir com uma faca. Mas o pesadelo está só começando. Aí vem o desafio de montar o brinquedinho com aquelas instruções que definitivamente não são pra crianças, e nem pra mim. E aí eu sempre acabo comendo o Kinder Ovo frustrada. Eu ainda acredito que um dia eu vou conseguir viver a alegria plena de comer o chocolate e ainda ter um brinquedinho. Bom, vamos ao post de hoje, queridos.

Eu acho muito bonito quando alguém diz que é uma pessoa eclética. Infelizmente ou felizmente, eu não sou nada eclética. Mas isso não significa que meu gosto não varie de acordo com, sei lá, não precisa de muito pro meu gosto por alguma coisa variar. Até outro dia eu amava caldo de cana bem geladinho com limão, e hoje nossa relação de paixão enfraqueceu e eu já não gosto mais. E, como pra todas as situações da minha vida eu penso em uma trilha sonora, meu gosto musical varia também, mas sempre dentro do meu bom senso e bom gosto. Quando eu estou super animada, ou precisando me animar, ou querendo dançar que nem louca pela casa de pijama, eu me delicio com a tia Madonna.  E aí, quando eu digo pra alguém que sou fã dela e tenho váááárias músicas no meu celular, (eu não tenho ipod, quer dizer, eu até tenho, mas ele ta empoeirado e abandonado, pois eu acho que carregar ipod e celular ao mesmo tempo é uma redundância) as pessoas me olham com um ar de quem comeu um cabo de vassoura. Fazem aquela cara e dizem: ai credo! Ou dizem: ah, então você também deve gostar daquela música da Britney Spears… Não, eu não gosto. Aliás, compara- lá com Madonna é enaltecer demais o “talento” da garotinha.

Então, nessa semana em que a nova música Celebration estreou seu clip oficialmente (sim, tem Jesus sem camisa e Lola dando cambalhota), eu resolvi defender a vovó das cantoras pop, boy bands, e derivados.

Ano passado eu tive a oportunidade de conferir Madonna e suas excentricidades ao vivo no Morumbi, na  Sticky and Sweet Tour em São Paulo. Confesso que fiquei com os olhinhos cheios de lágrimas quando a vi bem na minha frente, linda, loira e branca, cantando Like a Prayer só pra mim (ta, ela não tava cantando só pra mim, mas eu quis imaginar assim na hora). Eu sempre gostei da energia dela nas músicas, mas nada se compara ao clima do estádio naquela noite de sábado. Era uma multidão de pessoas dançando, cantando o mais alto que conseguisse, chorando, esperneando, abraçando quem nem conhecia, todo mundo num clima de felicidade que tava estampada no rosto de cada um. Não teve nenhuma briga, nem empurra – empurra. O mais legal era que tinha gente de todo o tipo. Homens, mulheres, caras (e coroas) que passaram a adolescência com Like a Virgin, crianças, gays, lésbicas, travestis, drag queens, ricos e pobres. Todo mundo convivendo em harmonia, paz e amor. Eu fiquei observando e conclui que aquele clima traduz bem o que Madonna consegue fazer. Um clima que só existe no show dela.  E no palco ela mostra porque é considerada a rainha do pop e dona de uma fortuna de milhões de dólares.

Lógico que eu me esbaldei como se fosse o último dia da minha vida, poucas vezes me diverti tanto. Dancei que nem louca e na segunda música, claro que eu já estava com a língua pra fora e morrendo com falta de ar, e a vovó cantou e dançou por 2 horas seguidas sem nem ficar ofegante, do alto de seus 50 anos (fiquei morrendo de inveja e rezando pra que eu chegue aos 50 daquele jeito).  Bom, depois desse show, a admiração que eu já nutria por ela só aumentou.

Acho que essa capacidade de atingir tanta gente diferente vem do lado camaleão de Madge. Ela está sempre se reinventando, se renovando, mudando completamente em segundos. Primeiro chocou o mundo dançando quase nua com vários bailarinos para milhares de pessoas, e hoje usa e abusa do hip hop que está na moda. Tudo bem, isso é uma super estratégia de marketing, das mais inteligentes por sinal, mas é um dom para poucos. Arrisco a dizer que isso ninguém tem. Só ela tem essa capacidade de ir de acordo com o mundo a sua volta. E assim, ela continua fazendo escola no mundo do pop.

Pra falar a verdade, eu não sou uma pessoa muito do pop não. Gosto mais de outras coisas. Mas se é pra gostar de algo, então que se goste do original. E vovó Madonna é a high society do pop mundial, com um talento que eu duvido muito que alguma dessas cantoras por aí irá atingir um dia.

Enfim, o clima de Celebration me deixou com vontade de escrever esse texto. E pra quem não ouviu ainda, ou tem vários preconceitos, vale a pena dar uma olhada, duvido que você não vai ter vontade de sair dançando todo pirilampo por aí.

Beijos enormes pra vocês e bom resto de semana!

Marília Rastelli

http://twitter.com/Mariliarastelli

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Anonimalias

Um homem esperava o ônibus pra voltar pra casa depois de um dia duro de trabalho.

Pensando na vida, no que ia fazer depois do banho, se a mulher, com quem havia recentemete casado, iria estar lhe esperando como todas as noites, ou seja, com camisolinha de seda e muito amor pra dar, ou se hoje o programa ia ser diferente. Talvez ela lhe sugerisse um jantar num restaurante daqueles queo salário e o bom senso dificilmente deixam pagar. Pensava nisso, e só. E tudo.

Eis que vem um rapaz de longe olhando pra ele, dá um aceno, que o rapaz que espera o ônibus, esse que pensa na mulher, responde rapidamente.

O homem que estava longe se aproximou aos poucos e puxou conversa, animado:

“E aí, André, tudo bem?”

“Bem, como não? Esse tempo de recém-casado é só alegria, né não?”

“Pois é, todo cachorro fica contente quando lhe põem a coleira e o levam a passear, ele só começa a achar ruim quando percebe que não é ele quem dita o caminho.”

“Ah, que isso Paulão, você só fala, no fundo ainda é apaixonado pela Ritinha, desde os tempos do colégio que eu sei.”

“Verdade, difícil dar o braço a torcer, a gente se acha o machão mas na realidade adora viver algemado.”

Os dois silenciam, meio que buscando um outro assunto qualquer, a falta de conversa gera um incômodo nos dois, pra alívio de um o outro começa:

“Tem notícia do Biro?”

“Poxa, faz tempo que não o vejo, dizem que ele foi morar com uns parentes depois que a casa dele pegou fogo… Coitado, ficou só ele e a roupa do corpo, a turma do pagode deu até uma forcinha pra ele, juntaram uma graninha mais ou menos pra ele recomeçar na casa dos parentes. Alguns por aí dizem que ele se matou, outros que mataram ele, outros ainda que ele tá bem na casa da tia mais velha”

“Nossa, nem fala isso, prefiro acreditar na última”

“Eu também, mas você sabia que o Biro era chegado nuns negócios meio ilegal, né?”

“Pois é, não teve a mesma sorte da gente, né?”

“Não Mesmo.”

Os ônibus passavam um atrás do outro, hora de rush, muita gente saindo do trabalho, ainda demoraria um pouco pro comboio que encerraria essa conversa chegar no ponto onde ela se desenvolvia.

“Tem falado com o pessoal do pagode, Paulão?”

“De vez em quando ainda vou lá, a dona Fiofa ainda faz aquela feijoadinha caprichada e a pinga ainda é daquele alambique de um amigo do Fié do tamborim, sabe? Mas agora, com todo mundo mais velho e com fígado estourado, é tudo mais comedido, perdeu um pouco a graça, além de tudo, o Migué, que puxava o samba com aquele gogó de ouro tá quase mudo de tanto fumar, dá uma dó…”

“Nem fale, esse povo era tão gente fina, eu sempre fui muito amigo deles, sempre me ajudaram quando eu precisei, quem sabe um dia volto lá pra retribuir uma parte…”

“Vai sim, eles vão gostar de te ver, o Piá virou pai-de-santo, dizem que uma benzida dele tira qualquer olho-gordo, você devia ir lá, com uma mulher bonita que nem a sua, deve ter um monte de gente querendo que o seu circo pegue fogo.”

“Paulão, você sabe que eu não sou disso, sou crente, isso de pai-de-santo é pecado!”

Outro silêncio dramático, pessoas contam o dinheiro do lado dos dois homens para ver se têm tudo o que precisam ou se tem trocados suficientes pra pagar tudo e ainda deixar o bolso mais leve e livre de incômodas moedinhas, uma fraca chuva já fazia levantar o cheirinho de cimento molhado.

“Pois é, tinha esquecido desse detalhe. Vem cá, aquele lá no fundo não é o seu ônibus?”

“Não, Não, ainda falta uns cinco minutos pra ele chegar, se não atrasar.”

“Verdade, é fogo!”

“Se é, eu tom morrendo de vontade de tomar um banho e comer alguma coisa, se essa merda atrasar capaz de minha mulher nem der bola que me vir entrar em casa”

“Fica tranquilo,  ela entende.”

“Pois é, ela sabe como são os ônibus, e também sabe que o carro quebrou não por minha culpa.”

Agora era o ônibus certo que chegava ao destino, levantando um pedaços de papel picado de campanha eleitoral que ainda ficavam depois da eleição no chão surrado pelo passeio de tanto público diferente.

“A gente se vê, te cuida, André”

“Té mais, Paulão. A propósito, seu número é o mesmo, né?”

“Não cara, mudou, mas é facinho, você vai decorar: 3883-4848, até mais.”

“Valeu, Até!”

“Até!”

O número do telefone se perdeu no ar de chuva fraca pra sempre. Tadeu e Pedro se despediram, um sem saber quem era Paulo, outro sem saber quem era André, sem nem mesmo saber se esses dois existiam de fato.

Quanto ao Biro e à turma do pagode, esses sim, de fato, nunca existiram.

A não ser numa conversa de ponto de ônibus.

Vinícius Gandolphi.

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